terça-feira, 19 de outubro de 2010

enfim só(s)

quero um cigarro. mais um pouco desse vício dilacerante que sentencia o meu deleite. mais um gole desse teu álcool forte, tão forte, que queima as minhas entranhas negras, moribundas, dissimuladas pela falta de arrependimento que a dor constante e o remorso não afectam, apesar de  tão patentes. mais um pouco desse alívio que só o vício me confere. um tentar desesperado de acalmar esta dor, sei lá que dor, que me corrói e me corrompe. visto um casaco e saio gelado, sôfrego da ressaca que não controlo, quase sem forças.. até te sentir, sem vontade de resistir, mas.. resistindo de uma só vez no asfalto. ouço as sirenes, sinto uma nuance de boa vontade de quem apenas cumpre o seu dever. mas dá-me forças, de alguma maneira... as sensações já eram e limito.me a um sussurro nauseabundo a condizer com o aroma que é, de facto, o sintoma de mim, "quero viver..". acordo ligado, anestesiado.  levanto-me ainda tombolo, sem um objectivo realmente maior que o de voltar a cair, mas não antes de encontrar o meu repouso escuro de quem te perdeu outra vez, meu vício, minha dor, minha calma.. meu amor 

shau-san!

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